Coração de Papelão

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See, that’s what the app is perfect for.

Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna

Eu queria não sentir cada veia pulsando
Queria não sentir cada parte do corpo em movimento
Ter a paz de não sentir os pensamentos numa espiral frenética

No meu corpo há tanta energia acumulada que paraliso
Seria maravilhoso pedalar e sentir o vento cortando meu rosto
Mas tanta energia e pensamentos me paralisam

Sinto os comprimidos e cigarros que beijam meus lábios não acalmam 
Ao contrário acumulam mais energia e me causam torpor 
Em que sinto cada veia do meu corpo recebendo e circulando meu sangue
Sinto mais do que gostaria, penso mais do que deveria 

Eu sou um Vesúvio que não quero ver acordar 

Depressão

O que prepara alguém para conviver com uma pessoa deprimida, há algumas semanas atrás, dei de assistir Melancolia, e aquilo me fez voltar os olhos ao meu redor, aos meus familiares, amigos e em alguns momentos da vida um companheiro.

Demorei bastante tempo pra me entender como pessoa deprimida e ansiosa, em níveis que não são naturais, porque é normal em alguns momentos difíceis da vida a gente ficar triste e querer chorar na cama, é normal a gente roer a unha e suar frio esperando um telefonema de uma entrevista de emprego, ou a resposta daquela pessoa que você chamou para sair. Mas é normal passar semanas inteiras tentando sair da cama? É normal estar sentada numa praça e ficar paralisada chorando enquanto cai um temporal, porque você sabe que se levantar vai se arremessar na frente de um ônibus ou caminhão? É normal deixar de fazer coisas simples como tomar banho e comer porque você simplesmente não consegue sair da cama? Ou passar o tempo todo respirando com dificuldade porque você se sente tao ansioso que parece que sua pele vai rasgar? É normal sentir vontade de bater a cabeça na parede até a espiral frenética de pensamentos abrandar na sua mente? Perder o dia de trabalho porque você teve medo demais de simplesmente cruzar o batente da porta de casa? É normal perder a consulta com a psicóloga semanas seguidas porque você teve medo demais de pra ir sozinha pra qualquer lugar que não seja seu trabalho? Ou se tremer de chorar por ter passado semanas planejando algo bobo e as pessoas deixarem de ir? Ter horror a fazer aniversario por não querer falar com ninguém?

Eu poderia ficar listando varias das coisas que me alertaram que aquilo não era normal que aquela tristeza e apatia, o torpor constante não são naturais e que eu realmente precisava de ajuda, mas o bendito do filme me fez lembrar dessas situações e da dificuldade que tem sido para as pessoas ao meu redor lidar com isso, pensar nos amigos que simplesmente se afastaram por não saber lidar com minha ausência, não por não gostar deles mas pela necessidade emocional que tive de me isolar e de não saber como interagir com as pessoas, dos amigos que persistem em mim, em me querer por perto e por vezes não sabem como agir e fazem com que eu me sinta sufocada e acabe explodindo, porque, engana-se aquele que julga o deprimido como sendo simplesmente uma pessoa triste e calada, o nosso humor é uma montanha russa, e mesmo quando ela tá lá no alto a gente se sente irritado, a gente se sente desconfortável e quer correr e gritar.

As vezes vejo minha mae assustada, sem saber o que fazer, sem saber como agir comigo e sinto uma aura de culpa gigantesca por não poder me fazer funcionar como antes, mas ninguém tem culpa, não há algo imediato que possa fazer a pessoa deprimida simplesmente parar de se sentir desconfortável dentro do próprio corpo, não tem uma fórmula que vá me fazer sair dessa bolha sufocante que é a minha cabeça.

Ver esse filme me fez voltar os olhos aos amigos que sofrem por não saber o que fazer ou dizer pra ajudar, no desconforto de querer pegar a gente pela mao e tirar dali mas simplesmente não poder, me fez sentir a dor da minha mae ao tentar me entender, me ajudar e lidar com isso e não conseguir, ou um companheiro que queira ajudar, mas se sinta impotente e frustrado por não ter nada que possa fazer.

Nos falamos o tempo todo sobre como nos sentimos, sobre como a depressão nos devasta e como sofremos com isso, mas e as pessoas que nos rodeiam? Nossos familiares, companheiros, amigos, chefes, professores, pessoas que lidam conosco todos os dias, como eles se sentem? O quanto isso também não atinge a saúde mental dessas pessoas?

Saudade

Meu nome bem que poderia ser Saudade.
No dicionário ela, definida como um sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas. Ora o que sou eu se não um poço de Melancolia e ausência? 
Pensando bem, Melancolia pode ser meu nome do meio, pois quando a Saudade me toma, o que assume o controle é um estado de tristeza profunda e desencanto, tal qual a definição de melancolia segundo o dicionário.
Por ultimo, teria como sobrenome Esperança, pois mesmo quando me vejo submersa em Saudade e Melancolia, a Esperança me dá um fôlego e me ilumina, segundo meu amigo Wikipédia,  Esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos. A esperança requer uma certa perseverança, acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário. O sentido de crença deste sentimento o aproxima muito dos significados atribuídos à fé. E o que é o ato de gostar ou amar alguém, se não um ato de fé?
Fé é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia. A fé acompanha absoluta abstinência de dúvida pelo antagonismo inerente à natureza destes fenômenos psicológicos e da lógica conceitual. Assim é definida a fé, mas poderia ser também a paixão ou o amor, sentir é ter essa confiança absoluta, mas ao mesmo tempo se perturbar por não saber se aquilo é o bastante, se aquilo é o suficiente, se a outra pessoa sente igual, menos ou mais, mas ainda assim sentir desesperadamente. 
Você não entende, você não toca, não tange, não define nem quantifica, mas você percebe, você sente que algo dentro de você muda quando surge algum indicio daquela pessoa na sua vida, você nota um sorriso bobo brotar, sente a arritmia cardíaca, a cada menção ao nome da pessoa, as mãos suarem quando ela está por perto, a vontade de correr pros braços quando a encontra depois de muito tempo de Saudade, um desejo profundo de morar nos braços dessa pessoa, sentir é um ato de fé, é uma cegueira branca, você fecha os olhos mas a luz do sol ainda queima suas pálpebras e você se joga mesmo assim, mesmo sabendo que pode mergulhar num vulcão em erupção, você não se importa, tanto pode cair no vulcão ou nos braços da pessoa, esse risco vale a pena.
Me vejo fixada pelas definições do que sinto, porque não entendo, não consigo distinguir nesse turbilhão o que sinto, o que quero e aquilo que rejeito. Talvez isso tenha a ver com a necessidade de ter algo concreto para me agarrar, algo que me faça  de fato me sentir racional, mas ingenuidade a minha, crer que algo tão sisudo e concreto feito um dicionário possa traduzir aquilo que de fato sinto, não seria capaz de definir o intangível, o subjetivo e sublime.
Me pego dando tantas e tantas voltas só de pensar na Saudade que sinto de acordar deitada no peito dele, da saudade de dormir debaixo de carinhos e cuidados, da saudade de morar nos braços dele um lugar mais seguro que um forte militar, é tanta de saudade de tanta coisa, dos beijos, do abraço, de fazer amor, de me aninhar no peito dele, de caminhar junto, de falar sobre bobeiras.
A saudade é uma merda.

Eu amo nele cada pedacinho do corpo
Amo o jeito que sorri
A forma como me envolve em seus braços 
A maneira como segura minha mão

Amo o jeito como as coisas ficam ao nosso redor
Amo a aura de felicidade que nos envolve quando jogados no sofá
Amo o jeito como ele torna as simplicidade imprescindíveis 
Amo o riso frouxo que ele me tira

Queria pensar numa maneira pra terminar esses versinhos
Mas pensar nele é não pensar em fim 

Certa vez, durante uma crise pós desilusão amorosa, um amigo enxugando minhas lágrimas, lembrou a célebre frase: “felicidade faz poesia ruim”. Durante os tempos que se seguiram eu escrevi muito sobre a minha dor, poetizei todas as feridas que abrigavam minha alma, e por um tempo foi tudo o que eu pude fazer com minha tristeza.
Tempos depois, a infelicidade foi tamanha que não fui capaz de escrever uma linha sequer, sobre qualquer lágrima ou sorriso que alterassem meu semblante de exaustão emocional.
Hoje uma felicidade (daquelas que faz poesia ruim) inundou meu peito e tomou conta de cada parte do meu ser, e eu preferia viver uma vida toda sem fazer um verso bonito sequer, do que viver meus dias sem a felicidade que lembrar daquele sorriso me fez sentir.

Não, o meu vazio não é maior que o mundo 
É muito menor 

Mas nele cabe todas minhas dores
Cabe também minhas despedidas

Meu vazio não é do tamanho do mundo
Nem do tamanho de minha solidão 

Não, meu vazio não é minha solidão 
É muito menor 

Ele é, a ausência do meu grito
Ele é, as lágrimas que já não escorrem

Não, meu vazio não é a necessidade de ninguém 
É justamente o oposto 

Ele é, essas pessoas que me rodeiam
Ele é, a pessoa que sumiu dentro de mim 

Nossa solidão não é geográfica
Não importa onde você esteja
São Paulo, Rio, Porto Alegre, BH ou Cuiabá
Se somos solitários a solidão nos segue

Nossa solidão não é geográfica
Tampouco é geográfico nosso afeto
Assim como a solidão nos acompanha
O afeto nos guia quando não podemos suportar a dor que é viver
Ele nos busca, não importa o quão longe estamos

Ca estou com minha imensa solidão
Longe de casa e de tudo que me é familiar
Mas seu afeto me toca
Me sacode desse transe de tristeza profunda

Quantos mundos cabem no meu mundo? 
Por que levar sozinha todo o fardo dessa terra, se há nela tantos com quem poderia dividir tamanha responsabilidade. É da minha natureza amar, cuidar e proteger tudo e todos, mas e a mim, quem virá proteger? Em qual colo poderei repousar sem sentir todo o peso do mundo em minhas costas?
Nessa vida nunca tive paz que me permitisse dormir a sono solto e sem lembrar das dores que me acompanham nessa vida, sem lembrar da efemeridade das coisas, sem o desejo de pôr fim a toda essa dor que não é minha e sim do mundo.
Quando digo que já não quero mais viver nesse mundo, quando digo que ele não é pra mim, entendem isso como um pedido de socorro que nunca existiu, é só um pedido de compreensão para quando chegar a hora em que a coragem me tomará, é um pedido para que compreendam que eu resolvi abandonar a minha dor, quando eu resolvi deixar de segurar esse mundo ao qual nunca pertenci, em nome deles.
Está uma noite tranquila e fresca, a vontade de alçar voo daqui da varanda do quinto andar nunca foi tao grande, o desejo de me sentir completamente livre de toda essa vida ao menos uma vez nunca foi tentador dessa maneira.

Vivemos tempos realmente difíceis para os sonhadores.

São tempos sombrios, em que ganha mais quem esconde melhor o que sente, ou melhor, aquilo que não sente, pois é necessário fingir um mínimo sentir na presença da outra pessoa para que ela não se sinta desconfortável para que depois um afastamento gradativo se concretize.
Em dias em que os relacionamentos saídos dos meios virtuais são muito mais comuns do que aqueles que surgem numa conversa espontânea entre dois estranhos, ou dois amigos, ou entre um amigo de um amigo e você, fica muito mais fácil esconder atrás da barreira virtual tudo aquilo que sentimos, pois vivemos relacionamentos baseados em mensagens visualizadas e respondidas, em jogos psicológicos que vence quem desprezar mais, quem demonstrar menos interesse e terminamos eles simplesmente ignorando essas mensagens, sem nenhuma explicação, apenas esperando que o bom senso, faça com que a outra pessoa entenda que aquilo findou.
Quantos diálogos já tivemos por um tempo considerável e que nos fez sentir algum tanto de afeto pelo correspondente mas que simplesmente foi morrendo e hoje está esquecido?
E o que digo aqui, é uma auto crítica também.
Mas quando estamos do outro lado da moeda percebemos quanto isso é insensível, não com o outro, mas conosco, pois vamos construindo relações cada vez mais distantes, cada vez mais impessoais, por não saber demonstrar, nem se podemos demonstrar aquilo que estamos sentindo, pela facilidade de esconder todo nosso desdém e crueldade com a pessoa que está do outro lado da tela, por ser muito mais fácil se esconder atrás de uma barreira virtual do que enfrentar as angústias e desejos que despertamos no outro, por ser muito difícil encarar aquilo que o outro sente, mas acima de tudo aquilo que sentimos.
Vivemos trocas de carinhos, beijos, abraços e suor com pessoas que simplesmente não queremos, são carinhos de mãos frias, beijos distantes e abraços vazios, que servem momentaneamente para nos tirar da solidão que essa nossa nova forma de se relacionar nos afunda.

Sobre ser mulher

Ser mulher é ser 3 vezes mais forte, em um mundo que tenta te derrubar 6 vezes mais.

Ser mulher é passar pelo menos um vez ao dia, por algum desconforto causado por essa opressão estrutural a qual somos submetidas ao nascer.

Ser mulher é viver na eterna incerteza se aquela rua é segura, aquela roupa, aquele amigo próximo, aquele seu parente mais velho que te olha de um jeito estranho.

Ser mulher é não poder andar na rua sozinha, sem que alguém se ache no direito de te assediar de todas as maneiras possíveis, é se sentir aliviada porque aquele cara que te seguiu de carro naquela rua deserta, só gritou com você e colocou o penis pra fora, não teve tempo de te puxar pra dentro do carro e fazer coisa pior.

Ser mulher é conviver diariamente com seus agressores, é ser obrigada a tolerá-los quando são do seu mesmo ciclo de amigos, até que você duvide que naquele dia no metro ele foi assustador com você te imprensando contra a parede, é ter que conviver e omitirem de você um abuso porque a pessoa é da sua família.

Ser mulher é ser agredida todos os dias, de todas as maneiras possíveis, simplesmente por ser mulher, aquilo que não se escolhe nem se aprende ser, só o é e pronto.

Ser mulher é passar pelos corredores da universidade e esbarrar naquele cara que tentou forcar você a algo e não poder fazer absolutamente nada porque você precisa provar algo.

É muito duro ser mulher e ainda conseguir amar os homens, sejam eles nossos pais, irmãos, avos, tios, primos, amigos e companheiros, pois por mais doce e carinhosos que eles possam ser conosco nos não conseguimos saber nem mensurar, mas podemos imaginar o quanto todos eles já invadiram uma mulher, já abusaram psicológica e afetivamente de uma de nós.

É muito doloroso em mim, sentir na pele todos os abusos que a sociedade patriarcal pode proporcionar a uma mulher, antes mesmo até de ser uma, é muito doloroso saber de tudo isso e ainda assim amar aqueles que tanto sofrimento causam a nós mulheres.

É engraçado como as coisas funcionam na nossa cabeça, gastamos boa parte de nossos dias tentando não se concentrar naquilo que já passou, tentando ignorar a cabeça te perguntando como seriam as coisas se tudo tivesse permanecido em seu devido lugar, e do nada você está ouvindo aquela música que não ouve há um tempão, a pasta de imagens proibidas abertas e aquele vídeo em que ele dizia aos nossos netos como eu era boba por ficar gravando nossos momentos de bobeira juntos.
O sentimento de incompletude e solidão caem sobre meu corpo como um balde d’água, nada de novo nos meus dias, nada que seja novo a cada relação casual que eu encerre por não sentir absolutamente nada quando a mão da pessoa toca a minha, ou por sentir isso com pessoas que me lembrem minimamente de você.
Pensei que estivesse apaixonada, mas ele parecia você deitado sob meu peito nu, pensei que as coisas estivessem mudando mas era só o olhar sereno e devastador que mora em você que eu vislumbrei nele.
Nesses dias de ócio de incertezas procuramos segurança nas menores palavras que estão ao nosso alcance e foi lendo meu mapa astral que encontrei algo para me agarrar, como a pessoa arrastada pela enchente segura um galho de árvore, nele eu li que tenho um planeta em escorpião e que isso significa que somos dados as desgraças, e que depois de um tempo podemos suportar com maestria todas as desventuras da vida, isso me deu um pouco de calma, de esperança de que um dia essas coisas parem de bagunçar minha cabeça.
Eu só queria passar por cima disso, por cima de você, por cima do que vivemos e ter um pouco de amor e calmaria, mas meu coração insiste em ser de pedra.

E difícil saber o que se quer quando se está perdido, é como se fossemos sobreviventes de um naufrágio e o mergulhar e emergir em busca de oxigenio resume a sensação perturbadora de buscar algo que não se sabe o que é.
De repente voce está em um jogo, que te colocaram mas não disseram as regras, cada passo em falso significa um ferimento letal, é a sua carne exposta ao perigo de um corte iminente, sem probabilidade de sutura. Desprotegido, ali voce não sabe qual a hora de baixar a guarda, então acaba endurecendo, ou se tornando um covarde.
A covardia atrapalha a busca, quando somos covardes e nos protegemos dentro de nossos cascos, nos protegemos também, muitas vezes, daquilo que procuramos e vamos nos tornando cada vez mais duros e solitários.
Talvez fosse melhor deixar a ferida aberta, baixar os escudos emocionais e permitir que entrem de fato em nossas vidas, do que se esconder atrás da desculpa de ter vivido um amor fracassado e doloroso, jamais esquecido ou perdoado.
Ainda que haja a possibilidade de um ferimento, a cada tombo levantamos mais espertos, vamos aprendendo a posição dos nossos apoios, levantaremos cada vez mais rápido, 
Quando nos debatemos, gastamos mais energia, podemos ter cãibras, pereceremos mais depressa, de nada adianta nos debatermos e se fugir do que temos medo, talvez seja só um bote, uma boia, prontos para nos salvar. 
Pode ser também um tubarão, que nos devorará em questão de segundos, mas isso, independente de nos debatermos ou não.

E de qualquer forma encontramos a paz, que talvez seja o alvo dessa busca incessante.

Rostos difusos
Quase não se distingue um do outro
Exceto pelos olhos
Miúdo e de um castanho escuro feito a morte
Carregam toda a curiosidade do mundo no verde mais bonito que já vi

As mãos firmes e esquisitas
Sorrisos com tantos dentes quanto se cabe numa boca
Seus passos e gestos se confundem

Já não diferencio um do outro
Como se os dois fossem um só
Um híbrido de amor e desilusão

Onde terminam os olhos verdes
Nascem os castanhos
Onde terminam os fios dourados
Surgem os negros como a noite

Sinto uma necessidade imensa dos dois
Não os diviso
Apenas desejo